Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a Cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. É estudioso da história de São José dos Campos.


I) SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 251 ANOS

A ALDEIA

"Em 1643 os jesuítas conseguiram para os índios, quatro léguas de terra que foram ordenadas em forma de quadra pelo Irmão Manoel Leão, que construiu casa de taipa de pilão para os padres e os índios, ergueu igreja na qual se veneram as imagens de Jesus, Maria e José, representando ao vivo a peregrinação que fizeram ao Egito para evitarem com sua ausência as iras de Herodes. Conservou, porém, sempre esta aldeia o título de São José, porque veneram os seus moradores a ele santo patriarca como patrono."


SÃO JOSÉ NASCEU NA PRAÇA DA MATRIZ

A aldeia resumia-se a dois quarteirões regulares com frente para um grande pátio central onde ficavam a igreja e a residência dos padres e demais casas de taipa de pilão, centralizando-se aí as atividades da população com suas diversas funções, servindo o pátio para festas, reuniões, além de prestar-se para secar grãos e demais gêneros alimentícios durante o dia e concentrar o rebanho bovino à noite.

                                                                       
A cidade nasceu onde é hoje a Praça Cônego João Guimarães (Praça da Matriz) - Foto: Arquivo Público do Município - FCCR



O PORQUÊ DA CRIAÇÃO DA VILA (CIDADE)

"A situação de estagnação da capitania de São Paulo levou a governança a tomar medidas que visassem à sua reestruturação social e econômica. A solução apresentada foi foi elevar as missões catequéticas e demais aldeias de índios administradas pelo Estado à condição de vilas e estas 'arrecadariam tributos como os já existentes, surgiriam novos cidadãos pagando impostos e demais contribuições e donativos previstos pela legislação em vigor, sob pena de terem os seus bens móveis e imóveis confiscados."

O DIA 27 DE JULHO DE 1767

O Auto de ereção e estabelecimento da Nova Vila de São José do Paraíba, que fundou o Dr. Salvador Pereira da Silva, Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca de São Paulo por portaria do Ilmo. Exmo. Sr. Dr. D. Luiz Antônio de Souza Botelho, governador e capitão general da capitania de São Paulo, aconteceu no dia 27 de julho de 1767.
O edital contendo o Auto de ereção foi publicado no largo da igreja. A publicação se fazia por meio de um índio, que percorria a vila batendo numa caixa surda, anunciando que no largo da igreja iria ser lido um edital, o que era feito por um oficial alfabetizado.


A ESTAGNAÇÃO DA VILA (CIDADE)

No início do século XIX, a formação urbanística inicial estava intacta. O povoado não evoluiu, manteve os mesmos conjuntos residenciais e coletivos de suas origens, conforme testemunho do pintor francês Arnaud Julien Palliere, em trânsito pelo Vale do Paraíba em 1821.


A CIDADE SANATORIAL

No final do século XIX começa a acontecer a procura do clima por médicos com tuberculose, como o Dr. Mário Galvão, que se curou e aqui abriu sua clínica, que ficava num casarão com as portas sempre abertas, no local onde é hoje o Museu Municipal, na Praça Afonso Pena, em prédio que havia sido construído para ser Paço Municipal, mas foi cedido para a recém aberta Escola Normal Livre (que depois passou a chamar-se Colégio Estadual e Escola Normal Cel. João Cursino, seu fundador) e depois ocupado pela Câmara Municipal.
Em 1924 foi inaugurado seu primeiro sanatório, o Vicentina Aranha. Em 1935 a cidade tornou-se Estância Climatérica e Hidromineral e ganhou um impulso em seu equipamento público ao mesmo tempo que, em 1920, a administração pública adotou uma política de incentivos para a instalação de indústrias.
                                                                              

Sanatório (hoje, Parque) Vicentina Aranha, maior ícone do ciclo sanatorial. Foto: Arquivo Público do Município - FCCR

O INÍCIO DA CIDADE INDUSTRIAL

Em 1920 o prefeito municipal Tenente-Coronel João Alves da Silva Cursino sancionou a primeira Lei de Incentivos para Instalação de Indústrias no Município.
A primeira grande indústria de São José dos Campos foi a Fábrica de Louças Santo Eugênio, instalada na Rua dos Bambus (hoje, Avenida Dr. Nelson D'Avila e onde é hoje uma empresa de seguros).
A incipiente industrialização conviveria com a cidade sanatorial até o final dos anos 1950, quando foi implantado um programa de vacinação governamental contra a tuberculose, após a descoberta da vacina, encerrando-se assim o ciclo sanatorial.

O AVANÇO NO MODELO DE DESENVOLVIMENTO

O ciclo sanatorial foi, em notável e longa extensão, contemporâneo das políticas de implantação de indústrias no Município, usufruindo da implantação do C.T.A. (hoje, D.C.T.A.) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação de meios de produção e de desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade "não morreu."  São José dos Campos tinha outros meios econômicos de produção e sobrevivência.


ÁREA DE SEGURANÇA NACIONAL

Mesmo quando foi declarada Área de Segurança Nacional (Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969) pelo Governo Militar, não podendo eleger seu prefeito, São José dos Campos deu um salto para o futuro, com uma política administrativa inovadora e globalizante, "abrindo suas portas para o mundo."


DE PROVINCIANA A METRÓPOLE REGIONAL

A partir de 1970, principalmente, a vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de técnicos estrangeiros de alto nível, começaria a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade "onde todos se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passavam a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome, preço que se paga pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga quase sem fronteiras, mas também, "sem alma," "sem rosto."

                                                                        

Anos 1960. A cidade horizontal que ficou para trás. Arquivo Público do Município - FCCR


FUTURO

Mercê de suas políticas públicas inovadoras desde 1920, que implantaram e ampliaram seu equipamento público e diversificaram seus meios de produção, São José dos Campos abriga a possibilidade de um futuro de mais bem-estar, oportunidades e progresso para as gerações atuais e para as futuras, cujo destino é escrito pelo hoje das ações das suas administrações, entidades privadas e miscigenada população, não importando de que recanto do nosso país ou de que parte do mundo ela venha ou tenha vindo.
A década de 1970 foi um notável marco no modelo de administração pública adotado.
São José dos Campos tem um inexorável e formidável destino e o desejo é de que essa trilha a leve a ser uma cidade com qualidade de vida na conformidade com os mais elevados padrões preconizados pela Organização das Nações Unidas, uma cidade-referência, o que pode significar enxergar o hoje com os olhos de daqui a 50 anos e implantar o amanhã hoje!


II) PENSAMENTO

                                                   



Viver é um contínuo exercício de racionalidade e sensibilidade, num caminhar de mãos dadas, onde as escolhas simples, de difícil percepção, são os tesouros que se tem dificuldade para encontrar, como se pepitas de ouro fossem.




Comments

  1. Muito interessante estes textos históricos dessa maravilhosa cidade. Parabéns Acadêmico.

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  2. Obrigado pela gentileza das palavras. Augusto Dias

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