Este blog é editado pelo jornalista Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras.
50 ANOS ATRÁS E SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A década de 1970 se iniciou pelo mundo com muitos conflitos, com golpes militares em diversos países, terrorismo e o escândalo de Watergate, nos Estados Unidos da América.
Na música popular "o sonho acabou" e o mundo assistiu à dissolução da icônica banda "The Beatles" e ao fim do rei do rock, Elvis Presley.
Mudam os costumes e, nos Estados Unidos, tomava corpo o movimento de liberação da mulher, o "Women's Lib," enquanto começava a explosão gay, com seus adeptos se organizando em associações, numa era psicodélica, de hippies, punks e movimentos liberalizantes.
No início dos anos 1970 o país continuava a viver sob a égide do governo militar, que se iniciara em 1964. Era o tempo do "milagre econômico," do tricampeonato de futebol no México, com transmissão em cores, pela primeira vez, de altas taxas de crescimento do produto interno bruto e do Brasil do "Ame-o ou deixe-o."
O governo militar viria a alterar a ordem política em São José dos Campos e, pela Lei Orgânica dos Municípios (Decreto-Lei Complementar nº 09 de 31/12/1969), a cidade foi declarada Área de Segurança Nacional, e o governador Abreu Sodré nomeou prefeito-interventor, o Brigadeiro Sérgio Sobral de Oliveira, que viria a substituir o prefeito Elmano Ferreira Veloso, que havia sido eleito em 15/11/1966 e que, portanto, não concluiria o seu mandato.
São José dos Campos começaria a viver as políticas públicas globalizantes que a levariam de cidade pequena e provinciana, a metrópole regional, resultando no grande centro industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial de ponta, seu hoje!
MONOSSILÁBICO
Fala pouco,
observa mais.
Tem Facebook, Instagram e Twitter,
mas suas frases são lacônicas.
Fala pouco,
observa mais.
Instado a opinar, atém-se ao meio termo aristotélico,
na contramão da linguagem irrefreada e sem vírgulas,
que permeia a comunicação digital.
Fala pouco,
observa mais.
Não se faz presente,
ausenta-se de si próprio,
cada vez mais.
Fala pouco,
observa mais.
Faz como Voltaire: cuida do seu jardim!
PENSAMENTO
O tempo, que concede espaço à reflexão, é o unguento das angústias.
LADY GODIVA OU ESQUECI O CELULAR EM CASA
Há um tanto de anos atrás, era caro e trabalhosa maratona burocrática adquirir um telefone fixo, que era o que havia como meio de comunicação pessoal e comercial eletrônica, então.
O telefone na sala era quase tão importante quanto uma geladeira ou um aparelho de TV.
Hoje, oferecido, mas - frequentemente - rejeitado em pacotes de Internet, o telefone fixo cedeu lugar ao celular e similares.
Não se sai de casa sem o celular. Esquecê-lo e sair à rua, é como andar nu, como Lady Godiva (990 D.C. - 1067) que, segundo a lenda, cavalgou nua pelas ruas de Coventry, cidade perto de Londres, recoberta apenas pelos cabelos, para conseguir do marido - coletor de impostos - fossem aliviados os impostos e taxas cobrados aos moradores da cidade.
Tão junto do seu dono o celular está que, ver motoristas, pedestres, seguranças e outras gentes olhando para baixo e digitando pelas ruas e lugares públicos e privados, é lugar comum.
É quase impossível encontrar uma "Lady Godiva" pelas ruas, porque ninguém quer sair de casa nu!
PENSAMENTO
Vive a quieta vida, mas não sem sons, do solitário. Como companheiros, tem os múltiplos pensamentos erráticos, a TV ligada e os perenes barulhos do homem e da natureza no seu entorno. Tem também espaço para a reflexão, para ouvir os ruídos da alma.
NAU SEM RUMO
Vive o solipsismo das suas escolhas,
sem ninguém para divergir,
nem para concordar,
nos infinitos momentos com si própria.
Em conversa muda,
na apatia da sua alma em angústia,
o injusto opróbrio das esquecidas alegrias,
havidas em profusão em outros tempos,
raras hoje.
Vive como um navegador sem bússola,
que se guia pelo dia e pela noite,
na esperança de que,
numa manhã de amarelado nascer do sol,
à sua frente surja terra firme!
PASSAGEIROS DO MEU TEMPO
01. O Cine Paratodos, no centro da cidade, que entrou em decadência nos anos 1960, com a inauguração do Cine Palácio, na praça Afonso Pena.
02. O footing, aos sábados e domingos à noite, na rua XV de Novembro, após a sessão de cinema.
03. A pizza no restaurante Santa Helena e o cafezinho no bar Paulistano, na rua XV de Novembro.
04. O prefeito Elmano Ferreira Veloso conversando na frente da banca de jornais, na esquina da rua XV com rua Sebastião Hummel, aos domingos.
05. O jornal AGORA.
06. A icônica avenida João Guilhermino sem asfalto, só cascalhada.
07. A "sedinha" do Tênis Clube, onde aconteciam brincadeiras dançantes e casamentos, com entrada pela rua Euclides Miragaia.
08. O Cine Palácio na praça Afonso Pena.
09. A banca de jornais do Vicente Schiamarella, um dos primeiros jornaleiros de São José dos Campos, na esquina da rua XV de Novembro com a rua Sebastião Hummel.
10. O deputado estadual Benedito Matarazzo descendo a rua XV de Novembro, sorrindo e cumprimentando a todos.
O PRIMADO DO PODER
No planeta mundo, há vários poderes: o de nascimento em dinastia real; de herança de grandes fortunas; da hierarquia; do conhecimento; da beleza; o político; o econômico e o da notoriedade.
Um ou alguns deles podem cair às mãos, como um fruto maduro de uma árvore, outros precisam ser conquistados conforme os ditames da nossa alma.
O poder - qualquer deles - nas mãos dos virtuosos, traz o bem, mas nas mãos do desvirtuoso, faz aflorar a arrogância, a extravagância abjeta, o autoritarismo e dá lugar a turbulências na vida social privada e em sociedade!
CIDADE DO FUTURO
exame.com
O Arco da Inovação, a ponte estaiada, é um marco de arquitetura na São José dos Campos que começou a construir sua cidade do futuro em 1920, em meio ao ciclo sanatorial, com políticas públicas com modelo de desenvolvimento endógeno em certos momentos, e exógenos em outros, desde então.
O Brasil, àquele tempo, era um país rural, onde pensar o futuro e em preservacionismo não fazia qualquer sentido, levando-se em conta as enormes necessidades básicas de infraestrutura da nação.
Nos anos 1970, com as políticas administrativas públicas municipais de caráter universalizante, São José dos Campos passou a se tornar mais cosmopolita, com vários diferenciais em sua qualidade de vida.
Pensar a cidade daqui a 50 anos e executar seu planejamento hoje, é o grande salto que fará com que a cidade seja ainda mais próspera, organizada e limpa, como a cidade futurística dos Jetsons!
PENSAMENTO
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Parabens Confrade Augusto Dias, pelo brilhante Blog. E infelizmente não existem mais Ladys Godivas, nem vestidas ou nuas, a zelar pelos nossos impostos. Abraço.
ReplyDeleteConfrade Rodrigo Cabrera, Obrigado pela leitura e comentários!
DeletePai, quanto orgulho sinto de vc! Quando leio o que escreve viajo no tempo, alguns que vivi e outros que só na imaginação através das suas palavras.🙏🏻😘❤️
ReplyDeleteObrigado pela leitura e comentários!
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