Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. É estudioso da história de São José dos Campos.
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I) COMENTÁRIO
SOBRE CASSIANO RICARDO (I)
RETRATO
O poeta, ensaísta, advogado e jornalista Cassiano Ricardo (1895-1974) é patrono da Academia Joseense de Letras, cuja Cadeira 1 ostenta seu nome.
Além disso, recebem seu nome a Fundação Cultural, a Biblioteca Pública, uma avenida, um Centro Cultural e uma Semana de cultura realizada anualmente.
POSSE NA ACADEMIA BRASILEIRA
Em 9 de setembro de 1937, Cassiano Ricardo foi eleito para a Cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras, tomando posse no dia 28 de dezembro de 1937, sucedendo a Paulo Setúbal.
Cassiano Ricardo, quando da sua posse na Academia Brasileira, foi recebido pelo poeta Guilherme de Almeida que o retratou como: sábio, filósofo, sociólogo, crítico, político, artista, patriota e poeta. Enfatizou ainda o espírito de Cassiano Ricardo na sua quietude bem-educada e silêncio respeitoso, sendo tal quietude e tal silêncio quebrados na sua posse na Academia Brasileira ao dizer que ela é o "planalto da cultura brasileira e o reduto supremo em que se apóia, neste instante, a nossa soberania de espírito e de sentimento."
AMAVA SÃO JOSÉ
O jornalista e poeta Roberto Wagner de Almeida, em matéria publicada no extinto jornal O ValeParaibano no dia 26 de setembro de 2011, relata entrevista com Cassiano Ricardo em 1965, no qual o poeta declarava seu amor à cidade em que nasceu e a qual sempre esteve presente em sua poesia, livro de memórias e nas inúmeras oportunidades em que retornava à cidade, em meio às suas muitas atividades intelectuais e públicas.
Da matéria escrita por Roberto Wagner de Almeida, então com 24 anos de idade: A CIDADE ESQUECE O POETA, foi desencadeado um movimento e Cassiano Ricardo foi homenageado pela Câmara Municipal e a Prefeitura Municipal criou a Semana Cassiano Ricardo e o Conselho Municipal de Cultura.
Menotti Del Picchia - Monteiro Lobato - Cassiano Ricardo
COM A PALAVRA CASSIANO RICARDO
"Tenho a todos externado a emoção que a Semana me causa. Foi, porém, Roberto Wagner de Almeida quem, em artigo "A Cidade Esquece o Poeta," publicado em O ValeParaibano de 15 de outubro de 65, chamou a atenção dos joseenses para a conveniência de São José marcar com uma festa o reencontro da cidade 'com o seu filho ilustre.' A ideia de Roberto saltou das colunas do jornal e tomou vulto. Conquistou adeptos. Os primeiros planos foram esboçados. E surgiu a Semana Cassiano Ricardo." - Viagem no tempo e no espaço - Memórias - Cassiano Ricardo - Livraria José Olympio Editora - 1970 - págs. 255/256
RAÍZES
Em entrevista para o jornalista Raimundo de Menezes em 30 de outubro de 1955, Cassiano Ricardo disse e voltou a repetir em entrevistas mais tarde:
"Abro aqui um parêntese pra voltar a São José dos Campos, que é ponto de referência de todos os meus caminhos até hoje, e ao qual voltarei a todo momento, aqui e ali, nesta viagem da memória, à procura do meu chão e das minhas raízes. Lembro-me: por ocasião de minha eleição para a Academia Brasileira a população de minha terra natal me ofereceu um álbum com centenas de assinaturas, organizado pela seguinte comissão:
Violante de Santana (90 anos)
Manuel Ricardo Junior (80 anos)
Ana Madalena Pontes (10 anos)
Maria Gizelda Cerdeira (9 anos)
Havia um quê de graça na declaração das idades: a significação de estar ali presente a cidade toda, desde os mais velhos aos meninos. Um raro símbolo pelo que exprimia de apoio na delicadeza da intenção." - Viagem no tempo e no espaço - Memórias - Cassiano Ricardo - Livraria José Olympio Editora - 1970 - pág. 228
Há, sempre, nas atitudes, palavras e livros de Cassiano Ricardo, apreço pela gente e pela cidade de São José dos Campos, onde ele nasceu e, aos 9 anos de idade, "publicou" seu primeiro jornal com poesias no Grupo Escolar Olympio Catão, cujas instalações ficavam num casarão então localizado ao lado da Igreja Matriz.
Mas, essa é uma outra história que ficará para a próxima vez!
II) HISTÓRIA
O FIM DE UMA ERA
O ciclo sanatorial de São José dos Campos teve início informal no final do século XIX, caracterizou-se fisicamente com a instalação do Sanatório Vicentina Aranha em 1924 e se consolidou - oficialmente - de 1935 a 1958.
O declínio do ciclo sanatorial foi iniciado em 1947 com a chegada da streptomicina ao Brasil, quando foi iniciado o processo de cura efetiva e da prevenção da tuberculose.
O tratamento da tísica, anteriormente baseado no diagnóstico precoce, no repouso e isolamento absolutos, nas reações imunológicas, isto é, pelos recursos do próprio organismo para debelar a infecção, onde a alimentação desempenhava papel importante e nos casos mais graves, com cirurgia do tórax, foi substituído pelo tratamento com antibióticos e quimioterápicos, tornando a tuberculose facilmente curável.
O icônico Sanatório Vicentina Aranha, maior representação física de uma era.
"Com a descoberta da hidrazida em 1953 e a cura da maioria dos casos de tuberculose, a Tisiologia, como especialização, entrou em franco declínio. Em 2 ou 3 anos o uso da medicação específica generalizou-se por todos os cantos, caiu dramaticamente o contágio e - consequentemente - os casos novos de tuberculose. Os governos passaram a distribuir medicamentos nos laboratórios - o que foi possível graças ao baixo custo da nova droga, pois a hidrazida é um derivado da aspirina. A atividade cirúrgica persistiu ainda algum tempo para casos crônicos residuais, tratados com uma ou outra resseção pulmonar e drenagem cavitária, mas a partir de 1955 ficou claro que se havia chegado ao fim de uma era." Depoimento do Dr. Eduardo Etzel, médico do Sanatório Vicentina Aranha de 1939 a 1955, ao autor deste BLOG em 21/11/1997 e a obra 'Um médico do século XX - Vivendo transforações.'
III) CRÔNICAS, CONTOS E OUTROS
TRADIÇÕES
Diluem-se as tradições no célere avançar das décadas.
Costumes desde muito, seculares, substituídos por novos,
em contrastante vigor.
Outras gentes, outros valores.
Gente jovem, como que contestadora,
gente ainda sem raízes, ainda com história por fazer.
Novos costumes construídos em moldes de novos tempos.
Homens, acontecimentos e tecnologias,
todos se falando ao mesmo tempo,
mudos nos modos, berrantes no eco.
Descobertas, inovações e inventos,
todos, um dia, há algum ou muito tempo atrás,
de radioso brilho ou importância,
mas, no hoje, esquecidos, ignorados ou verbetes.
É o tempo que passa, transforma,
a nada se apega, modera os espíritos e embaça a memória!
IV) PENSAMENTO
Criados à semelhança de Deus, segundo os cânones bíblicos, somos, entretanto, diferentes nos traços, temperamento, cultura, educação e modos. Mas, em qualquer parte do mundo, mais aqui, menos ali, há aqueles que se rendem às mercês do poder, da notoriedade, do dinheiro e do utilitarismo das relações humanas, sob uma máscara de amizade sincera, honestidade de propósitos e integridade familiar.
V) FRASES CLÁSSICAS
"Gosto de escrever em qualquer ambiente onde possa reunir três amigos: café, solidão e silêncio." - Cassiano Ricardo (1895-1974)





Poeta Augusto Dias matéria sintética, mas de conteúdo total sobre o Poeta Cassiano Ricardo.
ReplyDeleteBrasilino Neto
Confrade Brasilino, Obrigado pela gentil apreciação! Voltaremos a Cassiano Ricardo na próxima publicação. Um abraço fraterno! Augusto Dias
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