I) COMENTÁRIO
    
    POLÍTICA
    OS OLHOS DO DONO

É sobremaneira notório que os olhos do dono sempre enxergam melhor. Numa visão política idealizada, qualquer ocupante de um cargo público, principalmente um cargo executivo - em qualquer nível - quando ele atravessa sua odisseia e se assenta "ao trono," seu ideário se reveste de políticas macro, planos e projetos de futuro e um provável ego elevado. 
Mas, a sempre difícil realidade, que se passa em branco e preto, tem uma rotina de pequenas causas, de situações micro - que embora de importância - estão longe dos projetos sonhados. 
É o usuário que reclama do ônibus lotado, os moradores de uma rua com repetidos acidentes no mesmo lugar, os inúmeros pedidos de natureza pessoal, as dificuldades de atendimentos de várias naturezas. Coletânea de situações que podem consumir o espírito do melhor dos idealistas.
Nem sempre aquele que conduz no mais alto cargo sabe do que se passa com sua gente, tão hierarquizadas são as instituições
Em O PRÍNCIPE E O MENDIGO, de Mark Twain, Eduardo é um príncipe e Tom é um jovem do povo. É tal a semelhança física entre os dois que o príncipe, idealista e com senso de justiça, sugere a troca de lugar para conhecer as reais necessidades da sua gente, sem ser reconhecido, sem "cortejo," sem que lhe venham contar o que está acontecendo.
Eduardo vai às ruas como um do povo e Tom vai para o "blindado" palácio.
Eduardo, após viver a pouco confortável realidade do dia a dia dos seus súditos, retorna ao palácio com a real fotografia do seu reino e passa a buscar as melhores soluções.
Um e outro vivenciaram a realidade ao saltarem o muro das barreiras institucionalizadas!


II) SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

      PROVINCIANISMO E INTERNACIONALIZAÇÃO

Nos anos 1970, quando a administração do Município "abriu as fronteiras do nosso provincianismo social e comercial," incentivando a vinda de lojas, supermercados e outras empresas de todo o país e do exterior, dando ao Município uma nova direção de expansão dentro do seu já evolutivo processo industrial, ela foi criticada - como sempre acontece quando grupos dentro do seu natural espírito corporativo defendem seu interesse micro e rejeitam as mudanças, mesmo que essas beneficiem a todos ao longo dos tempos, neles incluídos os que foram contrários.
O medo do desconhecido novo.
Nos tempos de hoje, essa "internacionalização" faz parte natural do cotidiano, sem que ninguém se dê conta de que somos uma sociedade de muitas nacionalidades, culturas e negócios os mais diversos.
Só há progresso quando alguém, em posição de mando, enxerga um amplo horizonte muito à frente do seu tempo!
Assim o fez o prefeito Sérgio Sobral de Oliveira em 1970!


III) PERAMBULANDO

                                     



- O tempo, oh, o tempo, vilão das nossas vidas, tão rápido e imperceptível ele é. Num momento ele está em nossas mãos, no seguinte, já é passado. O presente dura um piscar de olhos. Não deveríamos piscar nunca, para ter todos os tempos!


- Sempre há um caminho a se tomar, a não ser que se prefira quedar à uma sombra!


- Quantos não se refugiam na solidão de si próprios, entristecidos e desesperançados, sem coragem para lançar mão da força represada em seu espírito e na sua alma, sem disposição para a difícil arte da atitude? Por que alguns parecem mais jovens do que outros da mesma idade? Por que alguns parecem voar o tempo todo enquanto outros se acorrentam a si próprios?


- A realidade não tem tanto brilho quanto os devaneios da nossa imaginação, mas é nela - realidade - que realizamos nossas melhores obras!


- A felicidade é um bem sem regras e sem métodos. Ela é o produto do difícil equilíbrio interior adquirido na moedura das vivências cotidianas!


IV) COMENTÁRIO
  
       BIRUTA DE AEROPORTO

                                                 


A vida pode mudar de direção em inflexível desobediência aos mais elementares desejos do ser humano, que sonha com sua faculdade, o primeiro emprego, o casamento feliz, os filhos saudáveis, o sucesso profissional e a luz social.
O imprevisíveis ventos do destino, entretanto, pode extrair parte dos sonhos e dos bens materiais, mas não podem lhe roubar a vontade, a determinação e a resiliência do espírito.
Recomeços são apenas ciclos da vida e tal qual a biruta de pequenos aeroportos, outros ventos podem apontar para novos e bem sucedidos caminhos!


V) SOBRE CASSIANO RICARDO
                               


                   Cassiano Ricardo - Arquivo Público do Município (FCCR) 



SEM VOCAÇÃO PARTIDÁRIA

"Depois da Revolução de 23, no Rio Grande do Sul e da Semana de Arte Moderna que irrompe em 22 mas chega até hoje, vêm a de 30 e a de 32, em que também paguei o meu tributo.
Júlio Prestes estava na chefia do governo do Estado e havia acompanhado - como estadista de idéias novas que foi - tudo quanto escrevíamos.
Chamou-nos a palácio, em determinado momento, para um bate-papo cordial, literário e político, dizendo-nos, a mim, Plínio e Menotti, que nos queria fazer deputados estaduais na primeira e próxima eleição. 'Vão procurar os chefes de cada região a que pertencem e digam a êles que é este o meu propósito.'
Foram, Menotti e Plínio, eleitos. Sem vocação partidária, fiquei à margem por não me haver acertado bem com o C.el (João) Cursino, chefe do P.R.P. em São José dos Campos.
Outros convites havia eu de receber em várias ocasiões mas o resultado seria o mesmo: negativo." Viagem no tempo e no espaço - Memórias - Cassiano Ricardo pág. 45 - Livraria José Olympio Editora - 1970.   A grafia foi mantida. Cassiano Ricardo é Patrono da Academia Joseense de Letras



VI) HISTÓRIA

       FOOTING

O footing era o passeio obrigatório na Rua XV de Novembro - coração da cidade - logo após a sessão de cinema (Cine Paratodos nos anos 1940 e 1950 e Cine Palácio a partir do início dos anos 1960), aos sábados e domingos à noite.
Assim, até o final dos anos 1950, havia o cafezinho no Bar Paulistano e - a partir dos anos 1960, a pizza no Bar Santa Helena, paradas obrigatórias após o cinema e antes do footing.
A década de 1970 marcou o fim do prazeroso, mas provinciano footing, que interrompia o trânsito na Rua XV de Novembro, então a principal avenida da cidade de São José dos Campos.

                                                  

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