Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. É estudioso da história de São José dos Campos.
augudias@gmail.com

I) A MODERNIDADE ESTAIADA

                                                       
Ponte Estaiada - São José dos Campos - Reprodução/PMSJC - Jornal O VALE

O projeto da Ponte Estaiada é o primeiro avanço inovador e modernizador do sistema de trânsito em São José dos Campos, principalmente no Anel Viário (Sistema Viário Sérgio Sobral de Oliveira), em décadas.
O Anel Viário já apresenta seus primeiros sinais de "exaustão." É visível o aumento do número de veículos por suas vias.
Mais viadutos e um sistema de tecnologia LVT (Light Vehicle Train), um sistema metroviário de superfície com confortáveis, seguras e modernas plataformas de embarque, são as necessárias melhorias que desafiam técnicos, orçamentos e vontade política!


II) CIDADE SEM ALMA

                              

O ciclo sanatorial, que tão positivamente marcou a vida de São José dos Campos e se encerrou nos anos 1960, foi - em notável e longa extensão - contemporâneo da política pública de implantação de indústrias no Município, usufruindo dos benefícios da implantação do Centro Técnico de Aeronáutica (hoje, Departamento do Centro Técnico Aeroespacial) e da abertura da Rodovia Presidente Dutra, numa formidável diversificação dos meios de produção e desenvolvimento de uma grande variedade de produtos e serviços e, quando do fim daquele ciclo, a cidade não "morreu," pois, já tinha um sólido processo industrial, comercial, educacional e de serviços em desenvolvimento.
São José dos Campos, principalmente desde o início dos anos 1970, teve um grande impulso devido às inovadoras políticas públicas municipais, ao mesmo tempo em que o país vivia as agruras do regime militar.
Mas, com o crescimento populacional devido à vinda de migrantes de todos os cantos do país e profissionais do exterior, começaram a se diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade onde todos "se conheciam."
Desenvolveu-se, ao mesmo tempo, um novo modus vivendi numa cidade cosmopolita onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais, enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, as boas maneiras, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana, onde os rostos eram conhecidos, os sobrenomes lastro e se chamava cada um pelo nome.
São José dos Campos se alarga sem fronteiras, numa pretendida modernidade, como um centro urbano, industrial, comercial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial, mas também como uma cidade impessoal, de desconhecidos, "sem alma" e "sem rosto."


III) TRÂNSITO

                                   

Num antigo desenho dos Estúdios Disney, o personagem Pateta, pessoa pacata e simplória, se transformava num agressivo, impaciente e intolerante motorista quando ao volante do seu veículo.
Transformar esses motoristas, existentes em quantidade em nossas vias públicas, em educados e pacientes  cidadãos, respeitadores da vida humana e das regras de trânsito é a difícil missão a ser levada a cabo. 
O comportamento é cultural. Há nações exemplares no conceito de comportamento no trânsito, tanto para pedestres quanto para motoristas.
Corrigir ou melhorar o mau comportamento de muitos motoristas agressivos e mal-educados é a difícil missão que levaria décadas para ser realizada em programas educacionais por escolas e administrações públicas preocupadas com o bem estar comum! 


IV) CRÔNICAS, POEMAS E OUTROS

NAU SEM RUMO

Vive a angústia das suas próprias escolhas,
sem ninguém para divergir,
nem para concordar,
nos infinitos momentos de si próprio.
Vive em conversa muda,
na apatia da sua alma,
o opróbrio das esquecidas alegrias,
das trocas mais íntimas existidas em profusão,
em tempos de relações humanas não enviesadas.
Vive como um navegador sem bússola,
que se guia pelo dia e pela noite,
na esperança de que,
numa manhã de amarelado nascer do sol,
à sua frente,
surja terra firme!


CEGUEIRA

Despojado de sensibilidade,
não prestou atenção aos filhos engatinhando;
não observou o que se passava no seu entorno;
não leu o que do mundo diziam jornais e revistas;
não notou no outro o crescente olhar de infelicidade conjugal;
não dançou valsas;
não fez uso de oportunidades para fazer o bem;
não fez gentilezas.
Sua cegueira lhe obliterou a razão,
irrogando-lhe uma existência sem sentido!

V) PENSAMENTO

                                      

Os laços são para sempre, porque, mesmo um dia desfeitos, deixam marca como o ferro quente no couro.




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