Este BLOG é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. É pesquisador da história de São José dos Campos.
I) COMENTÁRIO
INOVAÇÃO E HORIZONTES
Projeto da Ponte Estaiada no Anel Viário, no final da Avenida Dr. Jorge Zarur e início da Avenida Dr. Eduardo Cury. Foto/Reprodução/OVale
Quando os engenheiros liderados por Gustave Eiffel revelaram os estudos para construção da Torre Eiffel em Paris, em 1887, as dificuldades não foram somente de ordem técnica.
Assim como ao côncavo se apõe o convexo e ao não se apõe o sim, houve protestos, principalmente de arquitetos e escritores de renome que "fervorosos apaixonados da, até à data, beleza incólume de Paris......protestamos contra a construção da desnecessária e colossal Torre Eiffel......uma vertiginosa e ridícula torre......como uma gigantesca e sombria chaminé de uma fábrica....."
Apesar das dificuldades e das controvérsias, a Torre Eiffel, inaugurada em 1889, após pouco mais de 2 anos de obras, é um marco de engenharia inovadora e um dos monumentos mais conhecidos do mundo.
Imagem de Paris à época dos estudos para construção da Torre Eiffel.
Hoje, ao se pensar em Paris, vem à mente, principalmente, a icônica imagem da Torre Eiffel, ponto turístico que atrai mais de 7 milhões de visitantes por ano.
Guardados os propósitos e a proporção, a Ponte Estaiada será uma obra inovadora e um salto em direção à modernidade, mas - primordialmente - necessária.
A São José dos Campos sanatorial e provinciana que ficou para trás desde 1970, precisa construir seu hoje com o olhar inovador do amanhã!
II) COTIDIANO
O PEDESTRE
O sinal está sempre vermelho para o pedestre em meio ao pouco civilizado comportamento de motoristas impacientes, apressados e "proprietários das ruas," donos do espaço público sem qualquer escritura passada em cartório, pouco se importando com as normas do Código Nacional de Trânsito e olvidados da lhaneza ou - ao menos - do respeito básico para com a vida humana.
A cultura do mais forte, daquele que tem um veículo maior e disputa espaço com o veículo menor, prevalecendo a impertinência do ônibus sobre o pequeno caminhão, desse para com o carro, desse para com a motocicleta, dessa para com a bicicleta e dessa para com o pedestre, aquele vulnerável e hipossuficiente que pode menos na trilogia trânsito - veículos - pedestre.
Questão cultural que merece um longo processo educacional!
III) POEMAS E OUTROS
CASSIANO
(sobre o poeta que era dos Campos)
Nasceu perto das montanhas,
em uma terra de gado e bichos.
Criança, de muitas espertezas sabia,
não só de escola,
porque até jornal à mão fazia.
Era poeta porque nascera em São José dos Campos,
em poemas assim dizia.
Mas, a política, caprichosa,
fez a família deixar os campos,
em peregrinação por outras vigílias.
A poesia floresceu em meio à busca do sustento,
quase vida cigana de um a outro canto,
até a prevalência do talento.
De presidente, governadores e poetas angariou respeito,
mas a burocracia lhe roubava o tempo.
A cidade onde nascera ficou longe do olhar,
mas nunca do sentimento.
A política o rejeitou,
para o bem da poesia e dos memorandos.
Funcionário público,
de suas vestes, como Montesquieu, à noite se desfazia,
para caminhar pela leveza das palavras,
na humildade da sua erudição.
Pouco tempo havia para voltar ao seu rincão,
e na incompreensão de conterrâneos,
continuou a caminhar pelo arco-íris da poesia,
brincando de ser feliz, como Poliana,
ele, um imortal da Academia!
IV) HISTÓRIA
BOA VONTADE POLÍTICA
A instalação do Centro Técnico de Aeronáutica (hoje, Departamento do Centro Técnico Aeroespacial), que junto com a abertura da Rodovia Presidente Dutra, teve papel preponderante no desenvolvimento de São José dos Campos, sempre contou com a boa vontade política dos seus prefeitos:
"Confirmando as informações que tive o prazer de prestar, verbalmente, aos dignos oficiais desse serviço, que estiveram inspecionando o campo de aviação local para verificar a possibilidade de nele ser instalado esse serviço, tenho a honra de solicitar a V.Sa. a fineza de fazer sentir o Exmo. Ministro da Aeronáutica que esta Prefeitura fará doação, ao domínio da União, do terreno escolhido pelos referidos oficiais. Deseja esta Prefeitura colaborar no máximo de suas forças para a realização desse grande empreendimento ligado à defesa nacional e, com esse objetivo é que se anima a fazer a presente oferta à gloriosa Aeronáutica do Brasil."
Pedro Popini Mascarenhas
Prefeito-Sanitário
Ofício nº 44/0285 de 26/04/1944 dirigido ao Cel. Waldomiro Montezuma, Diretor Geral do Serviço Técnico da Aeronáutica.
"Exmo. Sr.
Cel. Casimiro Montenegro
Rio de Janeiro
"Tenho a honra de comunicar a V. Exa. que esta Prefeitura põe à disposição do Ministério da Aeronáutica os terrenos de sua propriedade, abrangidos nos planos do Centro Técnico de Aeronáutica, os quais serão doados para esse fim ao Governo Federal, podndo assim, ser dado início às respectivas obras. Sirvo-me do ensejo para reiterar-lhe os protestos de minha elevada estima e distinta consideração."
Jorge Zarur
Prefeito-Sanitário
Ofício nº 88/0503/47 de 01/07/1947 dirigido ao Tenente-Coronel Casimiro Montenegro Filho, Chefe da Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA).
V) PENSAMENTO
Vive a vida simplória dos humildes e sem importância, quase invisível no grande concerto da criação. Ante seu olhar, tudo se mostra bom. É feliz!





Comments
Post a Comment