Este blog é editado pelo jornalista, advogado e professor Augusto Dias. Escritor, ocupa a cadeira 14 da Academia Joseense de Letras. É estudioso da história de São José dos Campos.
augudias@gmail.com


I) COMENTÁRIO

      COSMOPOLITA E SEM ALMA

A partir do início de 1970 São José dos Campos deu um salto para o futuro com uma política administrativa inovadora e globalizante, "abrindo suas portas para o  mundo."
Foi o tempo do coronel reformado Sérgio Sobral de Oliveira, o prefeito nomeado por força do Decreto-Lei nº 09 de 31/12/1969, editado pelo governo militar.
"Eu sou pouco militar para os meus amigos militares e os meus amigos civis me acham militar demais," nas palavras dele.
"Estigmatizado" por essa dicotomia, promoveu uma drástica e positiva mudança na administração pública do município.
A cidade desenvolveu-se em todos os aspectos e o índice de crescimento populacional que já havia sido de 5.56% (década 50/60) e 6.77 (década 60/70) foi de 6.82% na década de 1970, dentro de uma administração dinâmica e inovadora.
São José dos Campos mudou de status desde então: de provinciana, passou a ter ares de metrópole.
Tudo começou a mudar: as políticas, os conceitos, o trabalho, a paisagem urbana e sua gente.
A vinda de migrantes de todos os cantos do país, assim como a presença de estrangeiros, começaria a diluir os laços tradicionais, a familiaridade e os costumes da cidade "onde todos se conheciam."
Aquela cidade até o final da década de 1960 foi "desmontada" pelo desenvolvimento vigoroso.
Mas, o crescimento trouxe um novo modus vivendi na cidade com ares cosmopolitas, onde o individualismo, o distanciamento e a impessoalidade passaram a ser dominantes, "endurecendo" as relações pessoais enquanto para trás ficava a fraternidade, a urbanidade, o vagar e a previsível pacatez da gente interiorana onde os rostos eram conhecidos e se chamava cada um pelo nome, preço a pagar pelo progresso e desenvolvimento de um grande centro urbano, industrial, educacional, de serviços e de tecnologia aeroespacial que se alarga quase sem fronteiras, mas também "sem alma."


II) COSTUMES
        
         SINAL DE GENTILEZA

                                                                      


Atravessar a rua em qualquer via da cidade ainda é um risco, principalmente pela imprevidência, impaciência e agressividade de motoristas de todos os tipos de veículos. Há, também, um tanto de pedestres imprudentes.
Levantar a mão pode dar certo no Parque Residencial Aquarius, mas em outros bairros ou no centro da cidade, ainda é um risco.
O pedestre é o hipossuficiente, mesmo contando com a proteção do Código de Trânsito Brasileiro no seu Art. 70 - Lei 9503/97 que dispõe:
               "Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse
                 fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde
                 onde serão respeitadas as disposições deste Código. 
                 Parágrafo único - Nos locais em que houver sinalização semafórica de controle de
                 passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia,
                 mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem de veículos."
A Prefeitura Municipal lançou o programa "SINAL DE GENTILEZA." Parece estar dando resultado.  
Para que seu resultado seja abrangente e - consequentemente - um indicador da cultura e educação da sua população, o programa precisa ser educacional e não uma campanha. Esta última é de curta duração, escapa aos olhos e mentes de motoristas incultos, impacientes e agressivos ao volante ou ao guidão. 
O inconsciente não guarda campanhas. O efetivo aprendizado demanda tempo e constância.
O desejo é de que o programa SINAL DE GENTILEZA seja ad eternum para o bem estar dos cidadãos dessa metrópole e o respeito para com a vida humana!


III) POLÍTICA
       IMPOTÊNCIA

Política é a ciência da governança de um Estado, Nação ou Município e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses, mas interesses de uma população, de um povo.
Essa premissa é sempre invertida pelos representantes eleitos, esquecidos de que 'política' tem origem no grego POLITIKA, uma derivação de POLIS que designa aquilo que é público e TIKÓS, que se refere ao bem comum de todas pessoas, indistintamente.
Enquanto, em algum gabinete se delibera e se decide em reuniões de pequeno número, na imensidão do país se quedam milhares de pessoas desejosas de que o "poder do povo, pelo povo e para o povo," do célebre discurso do presidente americano Abraham Lincoln, lhe traga o mínimo de conforto, paz, tranquilidade, prosperidade e saúde em uma vida digna.
Tudo que se passa aos nossos olhos parece ser um grande teatro onde os políticos e outros agentes públicos são atores, fazendo e dizendo o que querem em irrefletidas ações e palavras em profusão, principalmente pela mídia digital, enquanto na platéia está o povo, de onde eles são egressos, à espera de um estadista, de um super-herói que o tire do desesperançado lugar comum!

IV) CRÔNICA
       
          O MONOSSILÁBICO

Fala pouco.
Observa mais.
Tem Facebook, Instagram e WhatsApp.
Mas, suas frases são de uma só linha.

Fala pouco.
Observa mais.
Instado a dar uma opinião, atém-se ao
meio termo aristotélico, na contramão
da mídia digital, onde "todo mundo" tem
opinião, linguagem irrefreada e contundência.

Fala pouco.
Observa mais.
Não se faz presente.
Ausenta-se cada dia mais.

Fala pouco.
Observa mais.
Faz como Voltaire: cuida do seu jardim!


V) O QUE VOCÊ FAZIA EM 1969?
      
         Quando.........

01. O astronauta Neil Armstrong se tornava o primeiro homem a pisar na lua e disse sua frase emblemática: "Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade."

02. Acontecia o Festival de Woodstock, o maior festival de rock and roll de todos os tempos.

03. Richard Nixon tomava posse como presidente dos Estados Unidos da América.

04. Emílio Garrastazu Médici tomava posse como presidente do Brasil, sem eleições diretas.

05. Samuel Beckett ganhava o Prêmio Nobel de Literatura.

06. Decreto do presidente da República autorizava a constituição da EMBRAER - Empresa Brasileira de Aeronáutica.

Memórias que o tempo leva, esquecidas, diluídas, mas vivas algumas.
O tempo é um velocista. Tudo passa: o bom, o ruim, o necessário, o inútil, as paixões, os heróis e os vilões.
Afinal, a vida é o brilho do hoje de cada um!


VI) UMA OUTRA CRÔNICA

          O PÊNDULO E A VIDA

A vida gira quase sempre em torno das mesmas coisas: família, estudos, trabalho, problemas de saúde, desejos, sonhos, possibilidades, impossibilidades, acertos, desacertos, alegrias, tristezas e, geralmente, para nossa felicidade, ela segue sem grandes heroísmos ou grandes feitos, quase tão óbvia quanto o movimento da cadência do pêndulo nos antigos relógios de parede!

VII) PENSAMENTO

                                                        


O homem é capaz de ir à lua e também buscar outras distâncias planetárias nos milhões de quilômetros que separam os corpos celestes, mas tem dificuldades para percorrer as pequenas distâncias de estremecidas relações afetivas que o desequilibram e o tornam, frequentemente, um entristecido, irritadiço e cabisbaixo ser vivente!

                                                                                
                                                                     *************                                             





Comments

Popular posts from this blog